A Polícia Civil gaúcha, por meio da 2° Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (2ªDIN/Denarc), com o apoio da Brigada Militar e da Polícia Civil de Santa Catarina, na manhã desta quinta-feira (07) deflagrou a Operação Galápagos. Foram cumpridas 72 medidas cautelares em 12 municípios dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O objetivo da operação é combater uma associação criminosa armada interestadual, bloqueando contas bancárias, sequestrando imóvel de alto padrão, apreendendo veículos de luxo, bens e valores em espécie, visando à descapitalização do grupo criminoso.

Foram presas 19 pessoas e apreendidos oito veículos de luxo. Dentre as armas, estão um fuzil, uma submetralhadora, diversas pistolas e revólveres, além de um drone e diversas munições. Um imóvel, avaliado em 1 milhão de reais, foi indisponibilizado.

Em coletiva de imprensa realizada na sede do Denarc, em Porto Alegre, o Chefe de Polícia, Delegado Fernando Sodré, destacou a importância da operação e o resultado obtido: “Trata-se de uma grande operação para enfrentar um grupo criminoso vinculado a uma outra ocorrência que tivemos meses atrás, com dezenas de armas apreendidas em Gravataí e várias pessoas presas. A partir daquela apreensão, iniciou-se uma investigação que culminou com o resultado que tivemos hoje”.

O Diretor do Denarc, Delegado Carlos Wendt, ressaltou o trabalho integrado entre as forças de segurança: “Além do apoio da Brigada Militar em mais esta ação, destacamos a integração entre a Polícia Civil gaúcha e a Polícia Civil do Estado de Santa Catarina em mais um trabalho conjunto, possibilitando a elucidação, identificação e localização de investigados integrantes de facções que atuam na comercialização e na distribuição de drogas e de armas de fogo”.

Conforme o Delegado Rafael Liedtke, titular da 2ªDIN/Denarc, as investigações iniciaram em maio de 2023, como desdobramento da ação conjunta realizada entre o departamento e o 20º Batalhão de Polícia Militar, oportunidade em que, de forma integrada, efetuaram o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Porto Alegre e Gravataí, na região de Morungava.

Na ocasião, os agentes públicos, no estrito cumprimento de seu dever legal, ao executarem ordem judicial de busca e apreensão no sítio, foram recebidos a tiros, tendo os policiais revidado à injusta agressão, resultando na morte de um criminoso de alta periculosidade e que portava tornozeleira eletrônica. Dessa ação, foram apreendidas diversas armas de fogo, munições de vários calibres, veículos, drogas, valores em espécie e aparelhos celulares.

A partir dessa diligência, as investigações demonstraram a existência de uma associação criminosa armada muito bem estruturada, especializada no cometimento dos crimes de tráfico de drogas, porte ilegal de munições e armas de fogo, comércio ilegal de armas de fogo, entre outros delitos, com atuação no município Gravataí e proximidades, bem como na Zona Norte de Porto Alegre, contando, ainda, com ramificações no Estado vizinho de Santa Catarina, nas cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Palhoça, São José e Criciúma.

Segundo o que foi apurado no decorrer das investigações, esse grupo criminoso encontrava-se em guerra pelo controle de pontos de venda de drogas na Capital e Região Metropolitana de Porto Alegre, ocasionando expressivo aumento de violência nas regiões em que atuava, mantendo, inclusive, relações com indivíduos que se encontravam reclusos no sistema penitenciário e em regime semiaberto, e que permaneciam atuando no tráfico de drogas e no comércio de armas de fogo.

A principal liderança do grupo criminoso, que veio a óbito no confronto de maio de 2023, ostentava indiciamentos no âmbito na Polícia Civil por crimes graves, como homicídio qualificado, roubo a estabelecimento bancário, tráfico de entorpecentes, associação ao tráfico, formação de quadrilha, roubo a estabelecimento comercial, roubo de veículo, porte ilegal de arma de fogo, receptação de veículo roubado, furto qualificado, furto descuido e dano qualificado.

A Operação Galápagos buscou desarticular estrutural e financeiramente a associação criminosa armada, atuante na Região Metropolitana de Porto Alegre e na Capital Gaúcha, Zona Norte da Capital, e até mesmo de dentro do Sistema Prisional, que comandava o tráfico de drogas na Região, bem como a prática de outros delitos que visavam o enriquecimento ilícito do grupo criminoso como, por exemplo, por meio do comércio ilegal de munições e armas de fogo, e pela prática de golpes a partir de aparelhos celulares utilizados por detentos.

“Com os lucros obtidos com o tráfico de entorpecentes, as lideranças da associação criminosa giravam grandes quantias de dinheiro advindo de suas condutas, sustentavam vidas de luxo, adquirindo veículos de alto valor agregado, residindo em apartamentos situados em bairros nobres, alguns em cidades litorâneas, inclusive, financiando a abertura de comércio com capital proveniente dos crimes praticados pelo grupo criminoso, além de realizarem gastos com viagens e compras de terrenos e imóveis”, esclareceu Liedtke.

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